O QUE TEU PASTOR TE ACRESCENTA?

Este texto é um daqueles que chamo de autoexplicativo. Por si mesmo ele se explica. Não é um texto difícil de ser entendido. Pedro diz como o pastor não deve e como deve apascentar o rebanho de Deus.
Ao ler ou ouvir este texto, temos a tendência de pensar que ele se dirige apenas aos pastores, àqueles que estão na liderança. Parece que os que são apascentados, os liderados, ficam à mercê, esperando que um pastor com tais características se manifeste e, de alguma forma, os abençoe.
Nenhum cristão deveria aceitar a liderança de um pastor que não atenda a esses requisitos. Ou seja, se ele te apascenta por força, por torpe ganância ou como dominador, você passa a ser cúmplice por permitir ser apascentado por um indivíduo desse tipo. Se ele pastoreia sem espontaneidade, de má vontade e não é exemplo, o problema é seu por aceitar ser liderado por ele.
Não existe pastor se não houver rebanho. Não existe rebanho se não houver ovelhas — e ovelhas têm discernimento.
A figura da ovelha usada na Bíblia, muitas vezes, passa a ideia de um animal irracional, impensante e manso. É tão comum essa ideia que, quando identificamos alguém com aparência humilde, que não reclama da vida e mal abre a boca para falar alguma coisa, dizemos: “É uma ovelha”. Mas, se o camarada é daqueles faladores, que dão opinião sobre tudo e reclamam de tudo, dizemos: “É bode”.
O problema é que nos esquecemos do que Jesus disse em João 10.5:
“de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
As ovelhas ouvem, têm capacidade de discernimento e usam seu melhor mecanismo de defesa: fogem dos estranhos. A propósito, a Bíblia ensina que devemos ter cuidado com os estranhos.
“Acautelai-vos dos cães; acautelai-vos dos maus obreiros; acautelai-vos da falsa circuncisão.” (Fil. 3.2)
Que tipo de pastor não te acrescenta absolutamente nada?
Aquele que te apascenta por força
É possível que um pastor use de força para apascentar seu rebanho? Sim. Você não precisa fazer muito esforço para encontrá-lo. Eles têm algumas marcas inconfundíveis:
· Para eles, todas as demais igrejas são frias; só a deles é fervorosa.
· Para eles, as pessoas que saem de suas igrejas estão debaixo de maldição.
· Para eles, a vida de quem pastoreia é intocável, em nome de: “ai daquele que tocar no ungido do Senhor”.
Aquele que te apascenta por torpe ganância
Não é incomum encontrarmos pessoas que estão no ministério pastoral por pura ganância. São os amantes de Mamom. É fácil encontrar aqueles que estão no ministério apenas por interesses mesquinhos.
Há também aqueles que encontraram no ministério uma oportunidade de provar para si mesmos e para os outros que são capazes. Existe muita gente frustrada consigo mesma que encontra na igreja a oportunidade de provar seu valor. O centro de todas as coisas passa a ser eles mesmos.
Há ainda aqueles que trocam seu rebanho pela primeira oferta de aumento financeiro em outra igreja ou ministério. Seu lema é: “quem paga mais?”. Isso também vale para aqueles que só atendem igrejas grandes e famosas. Se, de um lado, eles estão errados, também erram aqueles que não dão a devida honra a seus pastores ou convidados.
Aqueles que apascentam por domínio
Quem é pastor de ovelhas vai à frente, e as ovelhas o seguem — em vez de estar atrás, empurrando-as.
Que tipo de pastor pode te acrescentar alguma coisa?
Aquele que te apascenta espontaneamente
O sentido aqui é “apascentar do modo como Deus o faria”. No que depender de Deus, Ele já fez tudo para te ter, para te alimentar com o melhor alimento, que é a Sua Palavra.
Ele continua fazendo todo esforço para te alcançar, como Jesus falou sobre Jerusalém:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste.” (Lc. 13.34)
Há algo que ninguém pode fazer por você — nem mesmo Deus fará. Deus quer que você mesmo se permita ser ajuntado, apascentado. Ele sempre fará a sua parte, mas você precisa se deixar ser cuidado por Deus.
Pastoreio é isso. A vontade do pastor não é suficiente. É necessária participação, aceitação mútua, porque cada um é livre para fazer o que quiser.
Se Deus dá liberdade de decisão a todas as pessoas, o pastor, como representante de Deus, precisa agir do mesmo modo. Cada um é livre para decidir o que fazer — e nem por isso fazemos tudo o que queremos. Por quê? Porque o amor de Deus nos constrange.
Aquele que te apascenta de boa vontade
Lidar com gente é uma das coisas mais espetaculares da vida. Você sabe quando uma pessoa faz algo mais por obrigação do que por prazer, não sabe? Todos vocês sabem quando aquilo que nós, pastores, fazemos é feito de boa vontade ou não.
Apascentar de boa vontade é não deixar que as esquisitices dos outros alterem o prazer de servir.
Apascentar de boa vontade é não exercer o ministério por obrigação, por dever ou por imposição, mas com boa disposição e amor.
Aquele que te apascenta servindo de exemplo
Quero resumir este último ponto falando de três coisas que você precisa encontrar na vida de um pastor.
Exemplo de amor a Deus.
Grande parte dos livros que falam do ministério pastoral fala da relação do pastor com as pessoas, mas pouco sobre a relação do pastor com Deus. Talvez por isso encontramos pastores cheios de si, letrados na Palavra, mas sem sensibilidade às coisas de Deus. Cai naquilo que Isaías escreveu:
“Esse povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim.”
Exemplo de amor à Palavra de Deus.
Se a lei do Senhor não é o prazer do pastor, ele coloca em risco a própria vida e a vida dos outros. Amar a Palavra de Deus é a melhor arma de defesa e de ataque que todos nós precisamos ter.
Quem ama a Palavra de Deus não usa as pessoas para benefício pessoal.
Quem ama a Palavra de Deus não se relaciona com os outros pensando no que pode receber, mas no que pode dar.
Exemplo de amor às vidas.
Minha relação com cada ovelha que pastoreio não tem sentido algum se não estiver alicerçada no amor.
“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.”
(1 Pd. 5.2–3)
Pastorear espontaneamente é agir por liberdade. É agir livre e liberto de todo tipo de preconceito, sabendo que não importa quantas pessoas na vida nos aprovam se somos reprovados por Deus; e também não importa quantas pessoas desagradamos se somos aprovados por Deus.
Pastorear espontaneamente é ensinar o caminho — mas a decisão sempre será sua.
Quero ser um pastor alguém que acrescenta.
Josenilton Pinheiro
Muito bom artigo, alias tenho sdo edificada com cada artigo, Que Deus continue te inspirando e que possamos recorrer a teu bolg para sermos alimentados e saiamos fartos.Todos os pastores deveriam ler esse artigo e coloca-lo em pratica, refletir do que tem sido feito da arte de pasotorear. Deus te abencoe e nos ajude a sermos pessoas que acrescentam.
ResponderExcluirAna Paula Oliveira, missionaria Senegal