27 agosto 2009

O dia dos pais e a parábola do filho pródigo


Leitura bíblica necessária: Lucas 15.11...

Sempre que leio a parábola do filho pródigo sou levado a interpretá-la a luz da minha própria experiência com Deus. Usá-la como ferramenta de evangelização, de exortação e ensino pra os outros parece ser de bom tamanho, até que as expressões inseridas na parábola começam a oferecer perguntas, e, a pergunta que me saltou no coração numa madrugada de mediação foi: Por que o filho pródigo se foi?
Primeiro porque o amor do pai não lhe foi suficiente. No coração do pai havia plenitude de amor pra dar aos seus filhos, embora estes, de modo diferente, não reconhecessem a plenitude desse amor. A autenticidade do amor do pai era indiscutível. Não tem como levantar suspeitas ou dúvidas desse amor, mas isso não sustentou o coração do filho que não soube ser amado, que não se permitiu ser alcançado pelo amor do pai.
A linguagem de amor de um pai é diferente da linguagem de amor de um filho. Ambos amam de maneira diferente. A propósito depois que a gente se torna pai a gente passa a interpretar melhor a linguagem de amor do nosso pai.
Para o filho que se foi o amor do pai não era o suficiente. Ele queria um amor diferente:
Um amor estranho em terra estranha. Os de perto foram trocados por gente estranha e distante. Tinha que ter um amor diferente pra aquele que se sentia diferente e este foi em busca sem medir as conseqüências. Afinal, experimentar o diferente é uma das façanhas para roubar a originalidade da vida da gente. E que pena que aquele jovem rapaz se deixou levar...
Um amor de toques e audições. Os gestos e palavras do velho pai não lhe eram tão agradáveis quanto a possibilidade de ouvir os possíveis sussurros: “cara você demais! É isso aê, valeu chegado” etc. e outras expressões carregadas do interesse de subtrair a aprovação da galera. Afinal, pra ser aprovado pela galera a gente faz qualquer coisa. Na triste ilusão de que só seremos aceitos se rolar um “baseado”, que pra começo de história tá de bom tamanho. Depois rola a cocaína. Como o cara tem grana e se acha, todo mundo aprova, até mesmo o traficante da época.
Ele queria um amor de toques. Não importava se fosse de uma estranha prostituta ou de uma vulgar adúltera. Se de amores femininos ou de masculinos. O que ele na verdade queria era o diferente. E na façanha do diferente ele se deu mal.
Um amor de valores distorcidos. O mal desta geração e que também atingiu esse filho foi a distorção de valores. Os valores espirituais e morais são inegociáveis, todavia, muitas vezes esses valores são trocados por escolhas impensadas.
Um amor que respaldasse seu erro. Esse filho não poderia encontrar em seu pai esse respaldo. O pai que é pai, espera, suporta, sofre, luta , chora etc. mas, não pode respaldar erro do filho. Infelizmente muitos filhos andam em busca da aprovação dos seus pais em relação aos seus erros.
Um amor egoísta. O desvio e abandono dos pais é uma atitude egoísta. A diferença entre aquele filho e muitos de hoje, é que ele saiu de casa, e muitos filhos não saem, mas permanecem egoístas...
Um amor negociável. Ele trocou o que tinha para receber a aprovação e aceitação de estranhos.
Conclusão: Na qualidade de filho, entenda que a linguagem de amor dos pais é diferente da linguagem de amor dos filhos.
Não troque a segurança de amor paternal por absolutamente nada.
Aprenda e aceite viver com um não de seus pais. Isso vai te adequar para viver melhor sua curta vida.
Desenvolva hábitos simples que fortaleçam a relação com seus pais. Ex: Declarações de amor, pediar a bênção, presentes etc.
No amor do Pai
Josenilton Pinheiro