12 março 2009

Levantar descendente para manter a conquista

“Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será este”. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro. Levantou-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olha o céu e conta as estrelas, se é que pode contá-las. E prossegui: Assim será a sua descendência”. Gn 15.4,5
“Os grandes homens vivem acima da sua obra; ela não é para eles nem lhes pertence”.
Abrão estava prestes a receber as primícias de toda promessa que Deus lhe havia feito: “farei de você um grande povo e o abençoarei” Gn 12.1. O cumprimento cabal dessa promessa dependia intrinsecamente do nascimento de um descendente que nascesse via útero legitimo e não útero emprestado.
O apelo de Abrão foi: “que me darás, se continuo sem filhos?”. Ele entendeu que precisava de um descendente para que se cumprisse toda promessa de conquista.
Apesar da sua avançada idade, Abrão precisou crer que o seu histórico passado (sem filhos) não determinaria o seu futuro histórico (muitos filhos). Em outras palavras: Quando Deus resolve mudar o histórico de uma pessoa nenhum passado determina o seu futuro. Isso me leva a crer que não importa quão difícil ou decepcionante tenha sido o meu passado. Eu posso ter, em Deus, um futuro brilhante. Portanto, a garantia de que minha conquista vai perdurar está em levantar um descendente.
Ao prometer-lhe um filho Deus estava apontando para Abrão a importância de ver o futuro via descendência.
Todo projeto de Deus visa a descendência.
Na criação. Quando Deus formou o homem e a mulher a ordem dada a eles foi: “Sejam férteis e multipliquem-se. Encham e subjuguem a terra. Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” Gn 1.28.
Na criação Deus pensava na multiplicação e no crescimento. Essa multiplicação e crescimento estavam na descendência de Adão. Ou seja: Começou em Adão sob um decreto de Deus e se cumpriu em número incontável; numa descendência chamada humanidade.
Na queda. O episódio mais trágico narrado na Bíblia Sagrada é o que fala da desobediência e queda de Adão e Eva. O primeiro casal é tirado do Jardim do Éden e passa a experimentar as conseqüências de seu erro.
“A serpente foi amaldiçoada por ter servido de instrumento a Satanás; a mulher teria prolongado as horas de sua maternidade, acompanhadas de cruciantes sofrimentos; O homem foi punido com a pena de prover seu sustento com fadigas e aflições, colhendo da terra espinhos e cardos em vez do bom fruto. Foi forçado a continuar esta luta, até que voltasse à mesma terra donde havia sido tomado. A morte foi o salário da sua falta; e a terra foi amaldiçoada por causa de Adão. A maldição converteu este planeta, do Éden num vale de lágrimas”1.
“No meio de todas as aflições com que Deus puniu a falta da mulher, encontramos uma promessa consoladora, o gérmen de todas as promessas futuras. A humanidade está arruinada e diante de um novo programa de dores e aflições. Mais o criador divisou um remédio que cortaria os efeitos do veneno mortal que acabara de ser inoculado na novel raça. Se Deus não tivesse um remédio tão eficaz, talvez, na sua infinita bondade tivesse desviado o plano do tentador. O verso 15 dá-nos o primeiro som do Evangelho, e tem por isso sido classificado como o “proto-evangelho”. Da semente da mulher sairia um que esmagaria a cabeça da serpente”2.
No plano de Deus “o descendente da mulher” seria a solução para a tragédia da queda.
Em seu descendente pode estar a solução para suas tragédias pessoais.
Moisés e seu sucessor Josué. Enquanto muitos ficam impressionados com o Moisés libertador que foi tremendamente usado por Deus para tirar o povo do Egito, eu fico mais impressionado com o Moisés de Deuteronômio 34.1-4. O Moisés líder capaz de levantar o seu sucessor, seu descendente para conduzir o povo à terra da promessa, da conquista. “Depois de terminar sua exposição ao povo, sabia Moisés que seus dias estavam terminando. Já sabia que não passaria o Jordão, que Deus não tinha perdoado a sua falta quando deixou de lhe dar glória perante a rocha de onde manariam as águas (Nm 20.7). Nunca chegaremos a entender bem porque esta falta deixou de ser perdoada, mas o fato é que o gesto do grande líder não teve o perdão de Deus. Assim, ele estava terminando a sua tarefa e deveria, antes de ir ao encontro de Jeová, deixar um substituto capaz. Dos homens que o acompanhavam, nenhum do quilate de Josué. Portanto, agora os dois varões vão encontrar-se com Deus, mas, antes disso, Moisés reúne o povo, faz-lhe um apelo tocante para que mantenha fiel ao Senhor, confie nas suas misericórdias e seja fiel ao novo chefe. Agora, chegados ao fim da viagem, Moisés convenceu-se de que tinha de entregar o bastão. Nada seria mudado entre o povo, nem suas relações com Josué sofreriam qualquer solução de descontinuidade. Os negócios divinos independe dos homens; estes vêm e passam, mas a causa fica. Foi assim com Moisés, não obstante o muitíssimo que se lhe devia por seu tino admirável e capacidade de condutor de povos. Assim, congregado o povo, Moisés comissiona a Josué para que se esforce e tenha bom ânimo, pois Deus o faria passar o Jordão e o levaria ao outro lado da terra. A grandeza do caráter de Moisés nota-se nesta grande crise. Um homem que tinha lutado e sofrido por 40 anos, tendo diante de si um alvo, agora apenas lhe é permitido vê-lo ao longe. Sobranceiramente, entrega o bastão ao seu sucessor, prepara-se para virar a última página do livro da sua vida e depois fechá-lo para sempre. Os grandes homens vivem acima da sua obra; ela não é para eles nem lhes pertence. Quando vêem que chega a hora de entregar a pasta a outro, retiram-se calmamente, como se o que foi feito não tivesse a sua marca e o dono o reclamasse para um terceiro. Os que se apegam às posições e fazem delas o todo da sua vida não servem aos outros, mas a si. Moisés não teve uma palavra de amargura diante do fracasso de seu último sonho. O seu sucessor lhe continuaria a obra, e isso parece que lhe bastava”3. Moisés sabia que foi escolhido por Deus para ser um instrumento que tiraria o povo do Egito e o conduziria para a terra da promessa. Dt 34.4.
Jesus e seus doze apóstolos. “depois de passar a noite toda em oração” (Lc 6.12), Jesus chama os seus discípulos e escolhe dentre eles doze aos quais deu o nome de apóstolos. Uma vez escolhidos os doze, começaria um tempo de preparo e treinamento. Afinal, não se faz apóstolo apenas com um chamado. Foi preciso caminhar juntos até que a personalidade apostólica se manifestasse.
A. B. Bruce diz que os doze “deveriam ser mais que companheiros de viagem ou criados do Senhor Jesus Cristo. Eles deviam ser, nesse meio tempo, estudantes da doutrina cristã, e ocasionais companheiros de trabalho na obra do reino, representantes escolhidos e treinados para propagar a fé depois que Ele próprio tivesse deixado a terra”4. Bruce também cita: “Da época em que foram escolhidos, de fato, os doze entraram em um aprendizado regular para o grande oficio do apostolado, no curso do qual deveriam aprender, na privacidade de uma comunhão íntima e diária com seu Mestre, o que deveriam ser, fazer, crer e ensinar como suas testemunhas e embaixadores no mundo. Daí em diante o treinamento desses homens devia ser uma parte constante e proeminente da obra pessoal de Cristo. Devia ser a sua ocupação dizer a eles na escuridão o que eles deviam depois falar à luz do dia e sussurrar em seus ouvidos o que, anos depois eles deviam proclamar dos telhados (Mt 10.27)5. De “tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1.1) os apóstolos tiveram participação direta e entenderam que, após a morte, ressurreição e ascensão de Cristo, seriam eles os descendentes responsáveis por manter viva a missão de seu mestre. Ele foi crucificado e morto, mas a sua missão permanece viva porque Ele deixou descendentes.
E quanto a você quem é seu descendente?

Josenilton Pinheiro
Notas:
1 – Antonio Neves de Mesquita; Estudo no livro de gênesis; 5ª Edição 1983; Juerp; pag. 105,106.
2 – Ídem; pag. 106.
3 – Antonio Neves de Mesquita; Estudo nos livros de número e deuteronômio; 2ª Edição 1979; Juerp; pag. 179,180.
4 – O treinamento dos doze; A.B. Bruce; Arte Editorial; 1ª Edição 2005; pag.37,38.
5 – Ídem, pag. 38.
Os textos bíblicos são da Bíblia de Estudo NVI- Nova Versão Internacional; Edito Vida 2003


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