20 março 2008

Melhor do que (2)

Melhor é o mancebo pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que não se deixa mais admoestar (Eclesiastes 4.13).
Já não se fazem discípulos como antigamente!
No curso normal da vida o mancebo se torna velho, o pobre pode se tornar rico e até rei, mas, não se espera que uma pessoa sábia se torne insensata. Infelizmente, é o que acontece muito! E ela perde a capacidade de ser admoestada! O versículo quatorze completa a idéia sobre o rei velho dizendo: “embora tenha saído do cárcere (o que caracteriza a capacidade iminente de ser humilde e aberto à exortação) para reinar, ou tenha nascido no seu próprio reino” (o que caracteriza a valorização de alguém que antes vivia sem perspectiva de vida, mas superou as adversidades externas. Deste, espera-se que também seja capaz de vencer as adversidades internas, dentre as muitas, a arrogância). Não importa em que situação ele foi encontrado. Se a insensatez o pegar um ciclo de desgraças começa a acontecer em sua vida e reinado. O sábio se deixa admoestar: 1. Por Deus. Joel R. Beeke escreve: “Admoestar é mais que punir. Admoestar objetiva “discipular”. Enquanto a repreensão pode incluir um castigo, o objetivo não é punir, mas corrigir. Admoestar não implica simplesmente que, desde que puni um comportamento errado, eu já lidei suficientemente com isto. O alvo deve ser a correção. A punição se foca no passado, no comportamento negativo; a correção no futuro, no comportamento positivo. A punição vê primariamente a ofensa; a admoestação se foca mais no ofensor. A maior preocupação da punição é retribuir; o objetivo da admoestação é reformar”.1 O que é verdadeiramente sábio entende que o Criador de todas as coisas, “visíveis e invisíveis” (Col. 1.16) admoesta e disciplina a “todo o que recebe como filho” (Hb. 12.6). 2. Pelos pais. Vivemos os “tempos trabalhosos” (2 Tim. 3.1) que descreveu o Apóstolo Paulo. Uma das razões para esses dias, diz o Apóstolo, são os filhos “desobedientes a seus pais” (v.2). “Pais espirituais saudáveis herdam o direito de falar às vidas dos seus filhos porque o fazem com um coração de servo, apoiando e encorajando esses filhos na sua caminhada com Cristo. Um nível de confiança é conquistado ao longo do tempo em um relacionamento equilibrado que encoraja filhos e filhas a depender de Deus”2. Sábios são os filhos que se deixam admoestar por eles! 3. Pelos educadores. O número de educadores que trabalham apenas com a informação na vida de seus alunos cresce assustadoramente, mas, também é assustador o decréscimo dos que trabalham com a formação. Já não se fazem discípulos como antigamente! Essa expressão pode ser saudosa, mas a realidade é que a indisposição de alguns educadores em trabalhar na formação de seus alunos tende a aumentar pela inadequação desses alunos ao estilo de vida disciplinar. Muitos destes, talvez, a maioria, gosta da coisa mastigada, pronta. Com o avanço da tecnologia alguns se tornam presunçosos e abandonam o berço do aprendizado seguro: a vida dos mestres! Precisamos incutir na mente de nossos filhos o principio de formação direta experimentado pelo Apóstolo Paulo que foi “criado aos pés de Gamaliel” (At.22.3). Pedro Finkler diz que “a observação do comportamento do individuo deve ser feita discretamente para não bloquear sua espontaneidade. Se sua conduta fosse o resultado de seus cálculos objetivando uma adaptação mais ou menos defensiva, essa conduta já não ofereceria dados úteis para a avaliação válida do processo de crescimento”. Ele ainda acrescenta “além da observação discreta e sistemática, a orientação geral e particular”.3 Enfim, o sábio aprende dos sábios e por eles se deixa admoestar. Acredito que esta tríade deva ser analisada com carinho, mas não se fecha como verdade única. Além dela a vida nos oferece outros mecanismos que nos educam a uma vida disciplinar. A saber: As adversidades da vida que nos educam e nos exortam a um estilo de vida preventiva. As derrotas da vida que nos educam e nos exortam a um estilo de vida corretiva. E as novas oportunidades que nos educam e nos exortam a um estilo de vida aplicativa.
"Ora, o intuito da presente admoestação visa o amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia" (1Tm.1.5).
Aberto à admoestação
Jó. 1- (Joel R. Beeke, A Disciplina dos Pais e Mestres -(www.monegismo.com) 2- (Larry Kreider, O clamor por pais & mães espirituais. Ministério Igreja em Células no Brasil, p. 85). 3(Pedro Finkler, O formador e a formação. Paulinas, p. 49,50).

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